sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2015


Fortalecei os vossos corações! 
(Tg 5, 8)

Amados irmãos e irmãs,

Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um «tempo favorável» de graça (cf. 2 Cor 6, 2). Deus nada nos pede, que antes não no-lo tenha dado: «Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa connosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar.

Quando o povo de Deus se converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença.

Dado que a indiferença para com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz para nos despertar.

A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). O mundo, porém, tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo n'Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida.

Por isso, o povo de Deus tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação, gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação.

1. «Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros» (1 Cor 12, 26): A Igreja.

Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus, que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo que antes experimentámos. O cristão é aquele que permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele, servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem, primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa pessoa «tem a haver com Ele» (cf. Jo 13, 8), podendo assim servir o homem.

A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n'Ele, um não olha com indiferença o outro. «Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26).

A Igreja é communio sanctorum, não só porque, nela, tomam parte os Santos mas também porque é comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons; e, entre estes, há que incluir também a resposta de quantos se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas santas, aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que todos nos abramos à sua obra de salvação.

2. «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9): As paróquias e as comunidades

Tudo o que se disse a propósito da Igreja universal é necessário agora traduzi-lo na vida das paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cf. Lc 16, 19-31)?

Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direcções.

Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura-se reciprocamente uma comunhão de serviços e bens que chega até à presença de Deus. Juntamente com os Santos, que encontraram a sua plenitude em Deus, fazemos parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. A Igreja do Céu não é triunfante, porque deixou para trás as tribulações do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes pelo contrário, pois aos Santos é concedido já contemplar e rejubilar com o facto de terem vencido definitivamente a indiferença, a dureza de coração e o ódio, graças à morte e ressurreição de Jesus. E, enquanto esta vitória do amor não impregnar todo o mundo, os Santos caminham connosco, que ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria no Céu pela vitória do amor crucificado não é plena enquanto houver, na terra, um só homem que sofra e gema, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da Igreja: «Muito espero não ficar inactiva no Céu; o meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas almas» (Carta 254, de 14 de Julho de 1897).

Também nós participamos dos méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no nosso desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua alegria pela vitória de Cristo ressuscitado é origem de força para superar tantas formas de indiferença e dureza de coração.

Em segundo lugar, cada comunidade cristã é chamada a atravessar o limiar que a põe em relação com a sociedade circundante, com os pobres e com os incrédulos. A Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens.

Esta missão é o paciente testemunho d'Aquele que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A missão é aquilo que o amor não pode calar. A Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a cada homem, até aos confins da terra (cf. Act 1, 8). Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom para a Igreja e para a humanidade inteira.

Amados irmãos e irmãs, como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!

3. «Fortalecei os vossos corações» (Tg 5, 8): Cada um dos fiéis

Também como indivíduos temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir. Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência?

Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração.

Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe, graças aos inúmeros organismos caritativos da Igreja. A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade que temos em comum.

E, em terceiro lugar, o sofrimento do próximo constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos. Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então confiaremos nas possibilidades infinitas que tem de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à tentação diabólica que nos leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos.

Para superar a indiferença e as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31). Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro.

Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença.

Com estes votos, asseguro a minha oração por cada crente e cada comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal, enquanto, por minha vez, vos peço que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de Outubro de 2014.
Francisco

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A herança que um pai nunca pode deixar faltar para um filho, segundo o Papa Francisco

Eis um bom gancho para um papo sério com nossos pais num encontro na catequese.Qual a importância deles no processo catequético dos filhos???

*Catequese Papa Francisco, quarta-feira, 04 de fevereiro de 2015


Todas as famílias têm necessidade do pai. Hoje meditamos sobre o valor do seu papel, e gostaria de começar com algumas expressões que se encontram no Livro dos Provérbios, palavras que um pai dirige ao próprio filho, dizendo assim: «Meu filho, se o teu espírito for sábio, o meu coração alegrar-se-á contigo! Os meus rins estremecerão de alegria, quando os teus lábios proferirem palavras retas» (Pr 23, 15-16).

Não se poderia expressar melhor o orgulho e a emoção de um pai que reconhece que transmitiu ao seu filho aquilo que realmente conta na vida, ou seja, um coração sábio. Este pai não diz: «Sinto-me orgulhoso de ti, porque és precisamente igual a mim, repetes as palavras que pronuncio e aquilo que faço». Não, não se limita simplesmente a dizer-lhe algo. Diz-lhe uma coisa muito mais importante, que poderíamos interpretar assim: «Serei feliz cada vez que te vir agir com sabedoria e comover-me-ei todas as vezes que te ouvir falar com retidão. 

Foi isto que desejei deixar-te, para que se tornasse algo teu: a atitude de ouvir e agir, de falar e julgar com sabedoria e retidão. E para que pudesses ser assim, ensinei-te coisas que não sabias, corrigi erros que não vias. Fiz-te sentir um afago profundo e ao mesmo tempo discreto, que talvez não tenhas reconhecido plenamente quando eras jovem e incerto. Dei-te um testemunho de rigor e de firmeza que talvez não entendesses, quando só querias cumplicidade e tutela. 

Fui o primeiro que tive de me pôr à prova da sabedoria do coração e velar sobre os excessos do sentimento e do ressentimento, para poder carregar o peso das incompreensões inevitáveis e encontrar as palavras certas para me fazer entender. Agora — continua o pai — comovo-me quando vejo que tu procuras comportar-te assim com os teus filhos e com todos. Estou feliz por ser teu pai!». É isto que diz um pai sábio, um pai maduro.

Um pai sabe bem quanto custa transmitir esta herança: quanta proximidade, quanta meiguice e quanta firmeza. No entanto, que consolação e recompensa se recebe, quando os filhos honram esta herança! É uma alegria que compensa todos os esforços, que supera qualquer incompreensão e cura todas as feridas.

Portanto, a primeira necessidade é precisamente esta: que o pai esteja presente na família. Que se encontre próximo da esposa, para compartilhar tudo, alegrias e dores, dificuldades e esperanças. E que esteja perto dos filhos no seu crescimento: quando brincam e quando se aplicam, quando estão descontraídos e quando se sentem angustiados, quando se exprimem e quando permanecem calados, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando voltam a encontrar o caminho; pai presente, sempre. Estar presente não significa ser controlador, porque os pai demasiado controladores anulam os filhos e não os deixam crescer.

O Evangelho fala-nos da exemplaridade do Pai que está nos céus — o único, diz Jesus, que pode chamar-se verdadeiramente «Pai bom» (cf. Mc 10, 18). Todos conhecem a extraordinária parábola denominada do «filho pródigo», ou melhor, do «pai misericordioso», que se lê no capítulo 15 do Evangelho de Lucas (cf. 15, 11-32). Quanta dignidade e quanta ternura na expectativa daquele pai que está à porta de casa, à espera do regresso do filho! Os pais devem ser pacientes. Muitas vezes nada se pode fazer, a não ser esperar; rezar e esperar com paciência, doçura, generosidade e misericórdia.

Um pai bom sabe esperar e perdoar, do profundo do coração. Sem dúvida, também sabe corrigir com firmeza: não se trata de um pai fraco, complacente, sentimental. O pai que sabe corrigir sem aviltar é o mesmo que sabe proteger sem se poupar. Certa vez ouvi numa festa de casamento um pai dizer: «Às vezes tenho que bater um pouco nos filhos... mas nunca no rosto, para não os humilhar». Que bonito! Tem o sentido da dignidade. Deve punir, mas fá-lo de modo correcto e vai em frente.

Por conseguinte, se alguém pode explicar até ao fundo a oração do «Pai-Nosso» ensinada por Jesus, é precisamente quem vive pessoalmente a paternidade. Sem a graça do Pai que está nos céus, os pais perdem a coragem e abandonam o campo. Mas os filhos têm necessidade de encontrar um pai que os espera quando voltam dos seus fracassos. Farão de tudo para não o admitir, para não o revelar, mas precisam dele; quando não o encontram, abrem-se-lhes feridas difíceis de cicatrizar.

A Igreja, nossa mãe, está comprometida em apoiar com todas as suas forças a presença boa e generosa dos pais nas famílias, porque para as novas gerações eles são guardiões e mediadores insubstituíveis da fé na bondade, da fé na justiça e da salvaguarda de Deus, como são José.

Fonte:



sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Esse AMÉM, sai automaticamente! Incrível!


Vendo essa imagem com esse alerta, lembrei-me de um fato!
Fui ministra extraordinária da distribuição da Sagrada Comunhão e também ministra da Palavra por um tempo. Mesmo que afirmamos que todo catequista é ministro da Palavra, só de pensar em estar no altar conduzindo uma celebração, me dava calafrios. Mas, infelizmente em muitos lugares, pela falta de sacerdotes, esse ministério é comum. Na minha paróquia com muitas comunidades, em alguns domingos tínhamos celebrações da Palavra.
Certo dia, lá estou, numa de minhas primeiras celebrações, sofrendo horrores na sacristia, esperando a hora de iniciar a celebração. Nesse dia, deparei-me com alguém mais nervosa, mais ansiosa que eu, uma garotinha que estava estreando como 'coroinha'. Percebi que ela suava, tremia, no que comecei a conversar com ela. Ela dizia: "Estou com muito medo de errar, de não dar conta, de não saber a hora certa das coisas..."
Sorrindo disse que ela não estava sozinha, que eu também estava começando e que tinha um montão de medos, mas que juntas, daria tudo certo e que não se preocupasse se algo saísse errado...
Lá fomos nós, a medrosa e a medrosinha...
Adivinhe o que aconteceu!!!
A garotinha se saiu muito bem, euzinha, na hora do Pai nosso, deixei escapar o bendito AMÉM!
Ops! não tem amém! (disse em tom suave e bem baixinho...)
Prossegui até a hora do alívio, a hora da saída do altar...
Na sacristia, abracei a garotinha e disse: " Vc viu só, como vc fez direitinho e quem errou fui eu...!!!" No que ela disse: " É, não tem amém neh!"
Sim, não tem amém! Rimos muito e acho que ela ficou mais tranquila.
Então, por mais que saibamos que não se diz o AMÉM, na oração do Pai-Nosso na missa ou celebração da Palavra, tem hora que ele sai automaticamente!
Mas não se diz o AMÉM nessa hora...
Imaculada, aprendiz sempre!






CATEQUESE, A SANTA MISSA: Você sabe a razão pela qual, na Santa Missa, ao final do Pai-Nosso não se diz imediatamente o amém?


O amém, na Santa Missa, não é dito assim que termina o Pai-Nosso porque suas petições continuam em sequência. O pedido final do Pai-Nosso, "mas livrai-nos do mal", se estende numa ardente súplica pela libertação do mal e pela paz:

"Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda de Cristo Salvador. Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos Apóstolos: “Eu vos deixo em paz, eu vos dou a minha paz”. Não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima vossa Igreja; dai-lhe, segundo o vosso desejo, a paz e a unidade. Vós, que sois Deus, com o Pai e o Espírito Santo".

Neste momento toda a Igreja proclama: AMÉM!

Vejamos o que diz a Instrução Geral do Missal Romano (IGMR) no número 81:

“Na Oração dominical pede-se o pão de cada dia, que para os cristãos evoca principalmente o pão eucarístico; igualmente se pede a purificação dos pecados, de modo que efetivamente ‘as coisas santas sejam dadas aos santos’. O sacerdote formula o convite à oração, que todos os fiéis recitam juntamente com ele. Então o sacerdote diz sozinho o embolismo, que o povo conclui com uma doxologia. O embolismo é o desenvolvimento da última petição da oração dominical; nele se pede para toda a comunidade dos fiéis a libertação do poder do mal.

O convite, a oração, o embolismo e a doxologia conclusiva dita pelo povo, devem ser cantados ou recitados em voz alta.”

A oração que se segue ao “Pai-Nosso” é chamada de embolismo, que tem o sentido de continuar a oração com uma petição de mesma intenção da parte final do Pai-Nosso. Ela termina com o povo dizendo “Vosso é o reino o poder e a glória para sempre“.

A descrição da oração é assim:

O sacerdote faz um convite ao Pai-Nosso.

Nós rezamos: “Pai nosso, que estais nos céus… Mas livrai-nos do mal”.

Sacerdote: Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda de Cristo salvador. (Este é o embolismo, um acréscimo ao Pai-Nosso. Repare que é uma repetição do final do Pai-Nosso, com outras palavras. Por causa dele não se diz “amém” ao final do Pai-Nosso)

Nós rezamos: Vosso é o Reino, o poder e a glória para sempre! (Essa é a doxologia).

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Ouvir para aprender


*Por Rubem Alves 

De todos os sentidos, o mais importante para a aprendizagem do amor, da vida em conjunto e da cidadania é a audição. Disse o escritor sagrado: "No princípio era o verbo". Eu acrescento: "Antes do verbo, era o silêncio".

É do silêncio que nasce o ouvir. Só posso ouvir a palavra se meus ruídos interiores forem silenciados. Só posso ouvir a verdade do outro se eu parar de tagarelar. Quem fala muito não ouve. Sabem disso os poetas, esses seres de fala mínima. Eles falam, sim - para ouvir as vozes do silêncio.

Veja esse poema de Fernando Pessoa, dirigido a um poeta: "Cessa o teu canto!/ Cessa, que, enquanto/ O ouvi, ouvia/ Uma outra voz/ Com que vindo/ Nos interstícios/ Do brando encanto/ Com que o teu canto/ Vinha até nós.// Ouvi-te e ouvi-a/ No mesmo tempo/ E diferentes/ Juntas cantar./ E a melodia/ Que não havia./ Se agora a lembro,/ Faz-me chorar". A magia do poema não está nas palavras do poeta. Está nos interstícios silenciosos que há entre as suas palavras. É nesse silêncio que se ouve a melodia que não havia. Aí a magia acontece: a melodia me faz chorar.

Não nos sentimos em casa no silêncio. Quando a conversa pára por não haver o que dizer, tratamos logo de falar qualquer coisa, para pôr um fim ao silêncio. Vez por outra tenho vontade de escrever um ensaio sobre a psicologia dos elevadores. Ali estamos, nós dois, fechados naquele cubículo. Um diante do outro. Olhamos nos olhos um do outro? Ou olhamos para o chão? Nada temos a falar. Esse silêncio é como se fosse uma ofensa. Aí falamos sobre o tempo. Mas nós dois bem sabemos que se trata de uma farsa para encher o tempo até que o elevador pare. 

Os orientais entendem melhor do que nós. Se não me engano, o nome do filme em que vi esta cena é "Aconteceu em Tóquio". Duas velhinhas se visitavam. Por horas ficavam juntas, sem dizer uma ún ica palavra. Nada diziam porque no seu silêncio morava um mundo. Faziam silêncio não por não ter nada a dizer, mas porque o que tinham a dizer não cabia em palavras. A filosofia ocidental é obcecada pela questão do ser. A filosofia oriental, pela questão do vazio, do nada. É no vazio da jarra que se colocam flores. 

O aprendizado do ouvir não se encontra em nossos currículos. A prática educativa tradicional se inicia com a palavra do professor. A menininha, Andréa, voltava do seu primeiro dia na creche. "Como é a professora?", sua mãe lhe perguntou. Ao que ela respondeu: "Ela grita...". Não bastava que a professora falasse. Ela gritava. Não me lembro de que minha primeira professora, dona Clotilde, tivesse jamais gritado. 

Mas me lembro dos gritos esganiçados que vinham da sala ao lado. Um único grito enche o espaço de medo. Na escola, a violência começa com estupros verbais. 

Milan Kundera conta a estória de Tamina, uma garçonete: "Todo mundo gosta de Tamina. Porque ela sabe ouvir o que lhe contam. Mas será que ela ouve mesmo? Não sei... O que conta é que ela não interrompe a fala. Vocês sabem o que acontece quando duas pessoas falam. Uma fala e outra lhe corta a palavra -"É exatamente como eu, eu...'- e começa a falar de si, até que a primeira consiga, por sua vez, cortar -"É exatamente como eu, eu...". 

Essa frase parece ser uma maneira de continuar a reflexão do outro, mas é um engodo. É uma revolta brutal contra uma violência brutal: um esforço para libertar o nosso ouvido da escravidão e ocupar, à força, o ouvido do adversário. Pois toda a vida do homem entre os seus semelhantes nada mais é do que um combate para se apossar do ouvido do outro". 

Será que era isso o que acontecia na escola tradicional? O professor se apossando do ouvido do aluno (pois não é essa a sua missão?), penetrando-o com a sua fala fálica e estuprando-o com a força da autoridade e a ameaça de castigos, sem se dar conta de que no ouvido silencioso do aluno há uma melodia que se toca. Talvez seja essa a razão por que há tantos cursos de oratória, procurados por políticos e executivos, mas não de "escutarória". Todo mundo quer falar. Ninguém quer ouvir. 

Todo mundo quer ser escutado. (Como não há quem os escute, os adultos procuram um psicanalista, profissional pago do escutar.) Toda criança também quer ser escutada. Encontrei, na revista pedagógica italiana "Cem Mondialità" a sugestão de que, antes de iniciarem as atividades de ensino e aprendizagem, os professores se dedicassem por semanas, talvez meses, a simplesmente ouvir as crianças. No silêncio das crianças, há um programa de vida: sonhos. É dos sonhos que nasce a inteligência. A inteligência é a ferramenta que o corpo usa para transformar os seus sonhos em realidade. É preciso escutar as crianças para que a sua inteligência desabroche. 

Sugiro então aos professores que, ao lado da sua justa preocupação com o falar claro, tenham também uma preocupação com o escutar claro. Amamos não a pessoa que fala bonito, mas a pessoa que escuta bonito. A escuta bonita é um bom colo para uma criança se assentar... 

Rubem Alves, 71, que um menininho descreveu como "um homem que gosta de ipês amarelos", e um outro, como "um velhinho que conta estórias", relê bem devagar o "Livro do Desassossego", de Bernardo Soares (Fernando Pessoa), uma obra que nunca se termina de ler.

São Paulo, terça-feira, 21 de dezembro de 2004 

Folha Sinapse

www.rubemalves.com.br

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Catequese com adultos



1- Objetivo a alcançar

O grande objetivo da mobilização nacional em prol da Catequese com Adultos (anos 2000-2001), foi que todos os nossos pastores, agentes pastorais, responsáveis pela educação da fé dos adultos em nossas comunidades, movimentos, paróquias, dioceses e regionais, desencadeassem uma ampla reflexão sobre a prioridade da Catequese com Adultos, acompanhada de decisões e de iniciativas práticas. Isso obviamente precisa ser continuado.

Já há decisões sobre isso, tomadas pelo episcopado brasileiro, e já faz tempo, 20 anos, - em 1983 -, mas que até agora não foram levadas suficientemente em conta. Comento brevemente o qur nossos bispos nos dizem no Documento Catequese Renovada, no parágrafo 130, texto que, aliás, foi muito divulgado em 2001:

1.1- "É na direção dos adultos que a Evangelização e a Catequese devem orientar seus melhores agentes. São os adultos os que assumem mais diretamente, na sociedade e na Igreja, as instâncias decisórias e mais favorecem ou dificultam a vida comunitária, a justiça e a fraternidade.

Não podemos evidentemente, diminuir em nada a importância e a melhoria da catequese com crianças e jovens. Mas precisamos nos convencer, de uma vez por todas, de que tudo na Igreja e na sociedade depende dos adultos. Quem toma as decisões e, na prática, as faz acontecer são os adultos. Nossos bispos têm toda a razão em afirmar que são os adultos os que, na verdade, mais favorecem ou dificultam a vida comunitária, a justiça e a fraternidade.

O mundos da política, da arte, da comunicação é conduzido e alimentado pelos adultos, homens e mulheres, estas, ainda bem, cada vez mais presentes em instâncias antes ocupadas prepoderantemente pelos homens. O que vem na atualidade é a imensa quantidade de adultos sem ética, dominados pela corrupção, por interesses particulares ou corporativos escusos, marcando o destino da população, especialmente das crianças e jovens, envenenados por contra-valores e pseudovalores apresentados como a grande proposta para se afirmar na sociedade. A hipnose coletiva, produzida pela ideologia sem ética, dominante hoje, é tão avassaladora e poderosa que é diminuto o número dos que, corajosamente, se posicionam criticamente a respeito desta deslavada situação de apodrecimento moral e social.

Como investir em educação e catequese de crianças e jovens, se o eu vive e faz o mundo dos adultos, é frontalmente contra os valores humanísticos e, mais ainda, contra os valores evangélicos? A CNBB, já em 1983, decide: "É na direção dos adultos que a Evangelização e a Catequese devem orientar seus melhores agentes". Mas, será isso o que está acontecendo em nossas Dioceses, em nossas Paróquias, nas CEBs, nos Movimentos, nos Grupos? O que vamos fazer agora para colocar isto em prática?

1.2- E nosso pastores, naquela época, detectavam três falhas graves na maneira como os adultos católicos viviam a fé cristã. "Urge que os adultos façam uma opção mais decisiva e coerente pelo Senhor e sua causa, ultrpassando a fé individualista, intimista e desencarnada". Comentemos um pouco este diagnóstico. Se4r´q eu algo dele ainda persiste hoje, vinte anos depois?

a) fé individualista. Trata-se de uma perigosa dimensão da religiosidade, isto é, a busca das forças transcendentes e da religião para atender a interesses individuais, sobretudo de índole material. Quem assim se comporta facilmente procura manipular Deus e todas as forças religiosas.

Analisando a prática dos fiéis, detectou-se que o devocionismo estava carregado de busca de milagroso, do extraordinário, do esotérico, da manipulação dos santos em favor de saúde, emprego, dinheiro, sucesso... Em geral os fiéis estavam sem bases bíblicas, doutrinais, litúrgicas, indo aos templos, particularmente santuários, e usando imagens e santinhos visando acima de tudo bens materiais. Havia uma perigosa ausência de referenciais bíblicos e teológicos corretos e não havia demonstração de esforço de conversão, de se colocar Deus e sua glória em primeiro lugar.

E havia também um começo de outra faceta do individualismo entre os católicos: a busca de Deus par satisfação afetiva, emocional, catártica. E ainda havia um bom número dos que tinham seu catolicismo sem precisar da comunidade. Evidentemente que este tipo de fé individualista não conduzia a melhora alguma nas relações humanas em casa, na sociedade, e a nenhum compromisso com a comunidade eclesial, nenhum compromisso com a justiça social.

É bom nos questionarmos em que pé está este ranço individualista entre nós cristãos católicos e o que estamos fazendo para superá-lo. Ora, isso tem de aparecer na catequese, principalmente com adultos. E é interessante, e isso tenho realizado, colocá-los a trabalhar este texto da CNBB. Dá margem a muita horas de reflexão e oração...

b) fé intimista. Retomo aqui um aspecto individualismo, que acima aventei. Constatava-se, naqueles idos de 1983, uma forte tendência a um uso da religião como tentativa de satisfação afetiva pessoal, de catarse psicológica coletiva, auto-ajuda. Reduzia-se Jesus, o Espírito Santo, Nossa Senhora, os Santos, a função de empregadinhos da necessidades íntimas das pessoas, trazendo o que se denominava, então, paz interior, alegria, entusiasmo contagiante, sensação de esta andando nas nuvens, repouso...

O importante na fé intimista está, acima de tudo, em "sentir-se bem", na compreensão de que a religião existe para isso: cura interior, satisfação íntima. Qualquer exigência em termos de caridade, solidariedade, compromisso, virada política segundo os valores do Evangelho, entre os quais a prioridade dos pobres... Não era aceita, já que levava a uma certa problematização interior, misturava política com fé.

O que responderíamos a esta questão da "fé intimista" hoje?

c) fé desencarnada. A fé individualista e intimista obviamente é desencarnada. Os bispos denunciaram, então, o grave perigo de um cristianismo fechado ao mundo, sem o profetismo social, aliado à ideologia militar da época e ao neoliberalismo-de-mercado, desarticuladores das iniciativas populares em prol da justiça e da solidariedade. E é bom lembrar aqui que naquela época levantavam-se duras calúnias á Teologia da Libertação, às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), à Opção Preferencial pelos Pobres, a Líderes proféticos, o que foi gerando sérios conflitos até mesmo nas fileiras do episcopado.

Cabe aqui também a pergunta: "Como está em nossa Igreja, hoje, esta" fé desencarnada?"

Passaram-se trinta anos. Há pouco tempo, em sua Carta Apostólica Novo Millennio Ineunte, de Janeiro 2001, o Papa foi contudente a respeito destas falhas bastante comuns entre os fiéis adultos católicos, ao afirmar: "Deve-se rejeitar a tentação de uma espiritualidade intimista e individualista, que dificilmente se coaduna com as exigências da caridade, com a lógica da encarnação e, em última análise, com a propría tensão escatológica do cristianismo" (NMI, 52). E o Papa alude ao Concílio: "A mensagem cristã - diz o Concílio na Gaudium et Spes, 34 - não desvia os homens da construção do mundo, nem os leva a negligenciar o bem de seus semelhantes, mas antes os abriga mais estritamente, por dever, a realizar tais coisas".

d) E quanto às influências dos adultos na fé tanto na Igreja como na sociedade, escreviam os bispos em 1983: "Os adultos, num processo de aprofundamento e vivência da fé em comunidade, criarão, sem dúvida fundamentais condições para a educação da fé das crianças e dos jovens, na família, na escola, nos Meios de Comunicação e na própria comunidade eclesial".

É este o sonho acalentado pela CNBB: leigos/as na fé assumindo com garra e competência a missão que lhes cabe na família, na própria Igreja e em todas as instâncias da sociedade. Mas é um sonho de toda a Igreja. E, em coerência, era preciso, porém, colcoar os adultos católicos, decididamente, num "processo de aprofundamento e vivência da fé em comunidade", o que até agora não aconteceu. A mobilização pela prioridade da Catequese com Adultos veio ajudar a levantar esta causa, que esperamos seja, de fato, de toda a Igreja, e que seja levada à prática.

2- Quanto à metodologia

Na maior parte das vezes, quando se convida um assessor para catequese, o que mais dele se espera é orientações sobre didática, até mesmo, "receitinhas mágicas" para uma "boa aula de catequese" e, também, "aulas" já preparadas, prêt-à porter, "que dêem o menor trabalho possível ao catequista e tenham ótimo resultado", muitas dinâmicas de grupos, historinhas, encenações, etc. é compreensível que isto aconteça, mas é fundamental, sem em nada desprezar a importância dos subsídios didáticos, ir sempre ao essencial, ao mais importante: impulsionar, com vigor, passos existenciais no caminho da maturidade cristã, que vão além destas receitas.

Primeiro é preciso, em catequese, assim como nos Seminários e Faculdades de Teologia, Casa de Formação, ultrapassar o referencial escola: aulas, planos de aulas, catequista visto como professor, catequizando visto como aluno de catequese, subsídio catequético tratado como livro didático de uma disciplina escolar, estilo de contato como sendo de professor-aluno... E quando este referencial se torna necessário, é preciso redimensioná-lo dentro das características da catequese, que age a partir da fé e dentro de um contexto de experiência de fé, de celebração da fé, de convivência entre irmãos não caminhada da fé. Este "estilo" dá o específico do encontro de Catequese.

Irmão Nery FSC